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- Editorial -
Volume 8 da Revista Eletrônica Materializando Conhecimentos

O mundo pós-moderno vem sofrendo constantes transformações com a evolução da ciência e da tecnologia. Nas últimas décadas, as transformações tecnológicas, são extremamente notáveis, tanto que passaram a ser ferramentas indispensáveis para viver nesses tempos. O ser humano comunica-se com qualquer parte do mundo, numa rapidez como nunca ocorreu na história da humanidade. Hoje estão ao alcance de qualquer pessoa muitas informações e facilidades de acesso e comunicação. As redes sociais dos indivíduos cresceram e ficaram mais complexas, da mesma forma que as redes econômicas, que passaram a uma escala global, resultando em economias multinacionais ou globais.

Entretanto, há uma geração, que é a que está na escola, que nasceu dentro desse novo contexto e entende o mundo a partir dele: os nativos digitais. E pensando em escola e educação ensinar agora ficou mais difícil por causa deles. Ensinar tornou-se algo mais desafiador. Essa nova geração oferece oportunidades nunca vistas para tornar o ensino uma profissão apaixonante e motivadora, que faça a diferença para a sociedade futura.

Oportunidades essas que se relacionam a novos papéis, novos conteúdos em novos métodos de ensino e de aprendizagem. Os professores tornam-se orientadores que oferecem um apoio especializado às crianças, que, por sua vez, aprendem de maneira mais independente sobre questões e problemas da vida real. A sociedade do futuro exige que seus cidadãos sejam capazes de lidar com a complexidade, tanto na vida particular quanto na profissional. Segundo Moran a sociedade é educadora e aprendiz, ao mesmo tempo. Todos os espaços e instituições educam – transmitem ideias, valores, normas – e, ao mesmo tempo, aprendem.

Quanto mais tecnologias avançadas, mais a educação precisa de pessoas humanas, evoluídas, competentes, éticas. A sociedade torna-se cada vez mais complexa, pluralista e exige pessoas abertas, criativas, inovadoras, confiáveis que ajudarão a integrar o humano e o tecnológico; o racional, sensorial, emocional e o ético; o presencial e o virtual; a escola, o trabalho e a vida em todas as suas dimensões.
Segundo ele ser um bom profissional da educação, hoje, implica também aprender a ensinar numa sociedade que está sofrendo profundas transformações em todos os setores da vida social e que agora são perceptíveis também nas organizações educacionais.

As tecnologias móveis desafiam as instituições a sair do ensino tradicional em que os professores são o centro, para uma aprendizagem mais participativa e integrada, com momentos presenciais e outros online, mantendo vínculos pessoais e afetivos, estando juntos virtualmente.

É exatamente nesse contexto que aparece o DNA da educação oferecida pela Rede ICM de Educação no Colégio Mãe de Deus.   Em seus princípios epistemológicos, O Colégio Mae de Deus compromete-se com a “construção de sujeitos do conhecimento e de uma sociedade mais justa” (PE, pág 50), portanto, em suas ações pedagógicas oportuniza ao estudante uma relação com o conhecimento de forma interativa e autônoma tornando-o sujeito do seu processo de aprendizagem e de desenvolvimento humano, superando a fragmentação do saber. Nesse processo a intervenção pedagógica do professor é de mediação e de orientação, priorizando as relações que o aluno estabelece com o mundo na construção de seu conhecimento, elaborando e reelaborando conceitos, que lhe permitirão aprender sempre mais.

É papel do professor, na Rede ICM de Educação oportunizar situações didáticas que promovam a autonomia do aluno desenvolvendo a sua capacidade de criar, criticar, fazer a história e aprender a aprender.  (PE, pág 72)

Aprender em nossa proposta Pedagógica exige envolver-se, pesquisar, ir atrás, produzir novas sínteses fruto de descobertas. Com tanta informação disponível, o importante para o professor no Colégio é encontrar a ponte motivadora para que o aluno desperte e saia do estado passivo, de espectador. Aprender nesse contexto é buscar, comparar, pesquisar, produzir, comunicar. Em nosso Colégio, tablets ou smartphones são úteis tanto para coletar informações, organizá-las, como para comunicar-se com colegas que estão distantes.

Com os avanços das redes e da mobilidade, as pessoas estão aprendendo de forma muito mais flexível, horizontal, informal, sem depender somente dos mestres. A aprendizagem em grupos, em pares, entre pessoas de diversos países é cada vez mais ampla e fascinante. Além da mobilidade, há avanços nas ciências cognitivas: aprendemos de formas diferentes e em ritmos diferentes. Não precisamos dar o mesmo conteúdo e atividades para todos, no mesmo ritmo. Temos soluções tecnológicas que orientam os professores sobre como cada aluno aprende, em que estágio se encontra, o que o motiva mais a monitorar esses avanços.

Um dos objetivos de trabalho da construção destes artigos científicos foi ensinar através das aulas invertidas ou flipped learning. As informações iniciais sobre o projeto e a escolha de cada assunto foram discutidas com os grupos e materiais foram disponibilizados, tanto no ambiente virtual, como presencial (físico). Os alunos criaram seu próprio roteiro de percurso sob o olhar atento e orientador dos professores, investigando e construindo. Depois os professores tiraram as dúvidas, orientaram, ampliaram os significados num ambiente virtual e presencial ao mesmo tempo.

Os professores motivaram os alunos intimamente, de modo que eles pudessem encontrar sentido no projeto que estava sendo proposto e nele se engajaram, com atitude critica e criativa, trazendo suas contribuições, por meio de seu modo de olhar o mundo e de entender a realidade em que estão inseridos. Os resultados superaram nossas expectativas iniciais, porque houve uma integração na atividade e eles fizeram descobertas e estudos enriquecedores.

Os alunos aprenderam a pesquisar, escolher, comparar e produzir novas sínteses, individualmente e em grupo, refletir e propor intervenções na construção de uma nova sociedade que queremos construir.

As temáticas escolhidas por interesse deles abordaram os mais diversos campos do conhecimento como: a pesquisa sobre a “Obsolescência programada”, uma prática que mesmo em situações ilegais sustenta o capitalismo; a reflexão sobre a “Disseminação dos padrões estéticos a cirurgia plástica e a hipervalorização da imagem” que levam milhares de pessoas a decisão de modificação comportamental e da aparência estética sejam elas homens e mulheres. No artigo “Rebeldia padronizada: a mercantilização das demandas sociais”, os autores tentam compreender como o verdadeiro ato de revolta e indignação é transformado em algo palatável e simplificado pela mídia, através da análise de produtos da indústria cultural e das respectivas ressignificações.

No texto “Relacionamento abusivo: o patriarcado e suas influências na atualidade” o objetivo do estudo foi discorrer sobre a nocividade do abuso nos relacionamentos a fim de que se tenha um debate consistente sobre as consequências dessa violência tanto para a vítima como para o aumento da desigualdade de gênero no país. Já no texto “Sociedade do espetáculo: mídia e pós-verdade”, as autoras buscam a análise crítica da sociedade do espetáculo, dos modelos de sociedade e dos fatores que as sustentam, por meio da interpretação de fontes documentais relacionadas ao assunto abordado, incluindo notícias, literaturas especializadas e produções midiáticas. Em “Vida suburbana” o artigo objetiva possibilitar ao leitor uma noção geral sobre o surgimento dos subúrbios, seja nos Estados Unidos, no Brasil ou em outras partes do mundo, com vistas a fornecer as informações necessárias para o pleno entendimento sócio histórico deste fenômeno e suas implicações na organização social, econômica e cultural da sociedade. E, finalmente, o artigo “Robótica aplicada” tem por objetivo discutir a complexidade da robótica aplicada, seu surgimento e evolução até os dias atuais e, também, fazer uma projeção da mesma para o futuro. Tal assunto é de extrema importância por ser atual e por interferir cotidianamente na vida das pessoas, mostrando que ela está presente nas pequenas e grandes ações do nosso dia a dia. 

Esse volume 8 da revista Eletrônica “Materializando Conhecimentos”  confirma a importância que hoje adquiriu o conhecimento compartilhado, o intercâmbio de saberes, a quebra de barreiras formais e a importância de encontrar canais de aplicação desses conhecimentos em projetos compartilhados, no espaço escolar em que os estudantes são os protagonistas e que ganham o mundo através da internet.
Revela o modo de olhar o mundo dos adolescentes, concluintes da educação básica em nosso Colégio, a criticidade presente em seus sonhos, aspirações, preocupações e, principalmente as causas que os motiva a lutar para construir um mundo melhor de se viver. Um mundo de paz, de ética e de respeito pela vida e pelo bem comum.
Caros leitores adentrem as páginas desta revista e curtam as revelações do conhecimento destes jovens! Compartilhem com eles vossas experiências, sonhos e esperanças.

Desejo uma boa leitura a todos!

Salete Salvalaggio
Coordenadora pedagógica

REFERENCIAS

BACICH, Lilian, NETO, Adolfo Tanzi e TREVISANI, Fernando de Mello. Ensino Hibrido - Personalização e Tecnologia na Educação. Porto Alegre: Penso Editora, 2015.

BERGHAHN, Ir Elenar Luisa. Projeto Educativo - ICM: uma educação que conhece as suas origens e sabe aonde e como qer chegar/ congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria. Rede ICM de Educação. Porto Alegre, Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria, 2017.

CARVALHO, Monica Timm de. Educação 3.0 - Novas Perspectivas para o Ensino. São Leopoldo: Editora Unisinos, 2017.

MORAN, José Manuel, MASETTO, Marcos e BEHRENS, Marilda. Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica. São Paulo: Papirus Editora, 2000.