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ZERO HORA - SEGUNDA-FEIRA, 11/11/2002 - Nº 37

BIBLIOTECA ESCOLAR

Não basta ter livros

As atividades desenvolvidas em bibliotecas e o ambiente desses espaços devem ser levados em consideração pelos pais na hora de escolher a escola dos filhos.

 

O uso da biblioteca deve ser INTEGRADO aos trabalhos dos professores.

Bruxa

A bibliotecária Lizandra, do Colégio Mãe de Deus, em Porto Alegre, se veste de bruxa para contar uma história aos alunos

        Com prateleiras à altura de quem tem lá seus oito anos, nove anos, cheias de livros, a sala da hora do conto na biblioteca Monteiro Lobato do Colégio Mãe de Deus, em Porto Alegre, deixa o silêncio do lado de fora. Ali é o espaço de ouvir histórias. Mais até: de vivê-las.

        Antes espaços sisudos, com mais avisos proibitivos do que quadros pendurados nas paredes, as bibliotecas estão se remodelando. Atenção ao tratamento que é dado a elas é uma dica importante a pais e responsáveis em processo de escolha da instituição na qual estudarão os filhos. A biblioteca precisa ser dinâmica, lúdica e, principalmente, articulada aos acontecimentos da escola. (Confira as dicas no quadro abaixo)

        Uma boa biblioteca não necessariamente é aquela abarrotada de computadores com acesso à internet. As preocupações vão além da estrutura disponível. Começa com a necessidade de ser um ambiente bem iluminado, distante do hermetismo que povoa o imaginário dos mais velhos quando lembram das bibliotecas freqüentadas na infância, e termina (ou recomeça) com a preparação dos professores que vão receber os alunos.

        - O bibliotecário tem de ser um educador. Deve trabalhar em sintonia com o professor, conhecer o currículo pelo qual as crianças estão passando na sala de aula - avisa Eliane da Silva Moro, bibliotecária e professora da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

        No Colégio Mãe de Deus, uma vez por semana, os alunos das séries iniciais se sentam sobre almofadas, no chão, entram na brincadeira e se sentem como desesja a plaqueta pendurada na porta: bem-vindos. Na quarta-feira passada, Lizandra Brasil Estabel, bibliotecária da escola, se vestiu de bruxa para contar uma história. Começou lembrando a novela O Beijo do Vampiro, protagonizada por crianças, minutos depois já tinha a ajuda dos alunos em sonoplastias e na determinação do rumo da história.

        O envolvimento dos alunos com o ambiente vai além do manuseio dos livros. No ano passado, a escola fez um concurso para eleger o mascote da biblioteca. Rodrigo Espírito Santo desenhou um livro que ganhou o nome de Lobatinho. Ele sempre dá as caras nas horas de conto.

Leitura

Os comentários que os estudantes fazem sobre o espaço são boas referências

 

DICAS

Como saber se a biblioteca da escola é boa?

- Espaço do castigo, do silêncio, cheio de proibições é um modelo ultrapassado.

- O bibliotecário não deve ser visto apenas como o guardião do livro. Sua prioridade é o estímulo da leitura.

- A presença de homens como bibliotecários para a construção de um referencial masculino de leitura para meninos.

- Não adianta dispor de tecnologia e variadas fontes de informação se elas são subaproveitadas. Procure saber o que os professores fazem com a estrutura disponível.

- Pais devem visitar a biblioteca no momento da escolha de uma escola. Leve o filho também, e perceba como ele se comporta e como é tratado.

- Na visita, atenção para o ambiente. É bem iluminado (luz artificial e natural)? É arejado? Como estão dispostos os móveis? São confortáveis para a leitura?

- É possível buscar referências do tipo: número de socios e retiradas. Uma biblioteca sem movimento ou é mal-aproveitada ou não desperta o interesse dos alunos.

- Certifique-se sobre a informação dos professores que trabalham no ambiente.

- Outra informação relevante é sobre a aquisição de obras. Com que regularidade isto é feito? Que as escolhe?

- O ambiente precisa atrair o aluno e não espantá-lo. Mas não pode ser muito infantilizado, sob pena de afastar os alunos mais velhos.

- O testemunho dos alunos é importante. Que comentários seu filho faz sobre a biblioteca? Ele leva livros para casa espontaneamente?

- Pergunte sobre os programas e as atividades oferecidas no espaço. São todas obrigatórias? Tem a ver com o currículo? As que são têm demanda?

- Quais as fontes de informação disponíveis? Atenção para a qualidade e não para a quantidade.

Fonte: Eliane Moro, bibliotecária e professora da Fabico-UFRGS

Créditos:      Edição e Reportagem: Loraine Luz     Fotos: Ricardo Duarte